CUSTOS DAS MORTES POR CAUSAS EXTERNAS NO BRASIL

Alexandre Xavier de Carvalho YWATA[1]

Daniel R. C. CERQUEIRA[2]

Rute I. RODRIGUES2

Waldir J. A. LOBÃO[3]

§                     RESUMO: A violência no Brasil é reconhecidamente um dos maiores problemas atualmente enfrentados pela sociedade. Entre as conseqüências daí originadas, a perda de vidas humanas representa custos substanciais. Cada vítima fatal da violência, do ponto de vista econômico, representa enorme perda de investimentos em capital humano e, portanto, de capacidade produtiva. Qual é o custo social dessas mortes violentas no Brasil? Neste artigo, apresenta-se uma metodologia para estimar a perda de capital humano devido a mortes violentas no país, a partir da base de dados de renda dos trabalhadores do IBGE e da base de dados de óbitos do Ministério da Saúde. Para combinar informações dessas duas bases de dados, inicialmente foram aplicados procedimentos de regressão não-paramétrica para estimar curvas médias de rendimento anual dos trabalhadores. Essas curvas são então utilizadas para estimar a perda de produção para cada indivíduo morto prematuramente, vítima da violência. Incluem-se nessa análise ajustes pela tábua de sobrevivência da população. Estimou-se que em 2001, o custo por perda de produção foi de R$ 9,1 bilhões devido aos homicídios, de R$ 5,4 bilhões devido aos acidentes de transporte e de R$ 1,3 bilhão devido aos suicídios. O custo total resultante das mortes por causas externas foi de R$ 20,1 bilhões. Estimou-se, ainda, o total de anos de vida perdidos: no agregado das causas externas, esse total foi de 4,96 milhões de anos, sendo 2,15 milhões devido aos homicídios e 1,24 milhão devido aos acidentes de transporte. Esses números devem-se principalmente ao alto percentual de vítimas jovens.

§                     PALAVRAS-CHAVE: Custos de produção; homicídios; acidentes de transporte; métodos não-paramétricos; superfícies de renda.

 



[1] Diretoria de Estudos Regionais, Urbanos e Fiscais ; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA; SBS - Quadra 1 - Bloco J - Ed. BNDES ; 70076-900 - Brasília - DF – Brasil. E-mail: alexandre.ywata@ipea.gov.br

[2] Diretoria de Estudos Macroeconômicos; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA; Métodos Quantitativos; SBS - Quadra 1 - Bloco J - Ed. BNDES ; 70076-900 - Brasília - DF – Brasil.

[3] Escola Nacional de Ciências Estatísticas – Ence/IBGE; Brasília - DF – Brasil.